quarta-feira, 7 de abril de 2010

Amizade.

O dia do amigo já foi, mas hoje me encontro refletindo sobre a amizade. O que é um amigo? Um parceiro fiel e leal, em quem podemos confiar? Uma pessoa com quem cultivamos um afeto mútuo? Simplesmente alguém com quem mantemos boas relações? Ou uma companhia conveniente pra nos livrar da solidão nos momentos oportunos?

Acho que um pouco de tudo. Há amizades que se formam em uma noite e duram uma vida, enquanto outras amizades que se constroem por uma vida terminam em uma noite. Certa vez li em uma pesquisa que, geralmente, mudamos a maioria de nossos amigos a cada 7 anos. É natural essa mudança, considerando que 7 anos é um espaço grande de tempo, e nesse período, mudamos de casa, trabalho, escola; enfim, mudamos, assim como eles mudam também.

A mudança maior, no entanto, reside dentro da pessoa. Ocorre frequentemente um descompasso entre amigos, um erro de sintonia no passar do tempo que empurra ambos, mesmo quando involuntário, a caminhos separados. Assim, no que um dia seria um reencontro, acham-se perdidos, desencontram-se, pois não reconhecem mais o amigo que um dia deixaram pra trás.

O que não muda, nem deve mudar, é o afeto. Não podemos esquecer o que cada pessoa deixou em nós, como contribuiu em nossas vidas. E se amizade terminar, não devemos guardar rancor, querer o mal. O fim é inevitável, venha ele como vier, e nos resta apenas desejar o bem àqueles que não participam mais de nossa vida, mas que certa vez deixaram o nosso dia mais feliz apenas por existirem.

A amizade é a relação que, por mais que seja temporária, devemos sempre resguardar. É o convívio voluntário por excelência, diferente daquele ungido por laços sanguíneos ou firmado em cartório. É frágil, volátil, vem e volta, como todo bem precioso, mas nunca pode deixar de estar presente. E se um dia uma amizade murchar, como todas coisas belas hão de fazer um dia, logo surgirá outra, na qual devemos nos empenhar novamente, como a primavera que age sem esperar o inverno.

Os amigos são muito nessa vida, é verdade. E em todas as suas possibilidades, encontraríamos maravilhas a serem desfrutadas. Mas se pudesse atribuir a eles uma única função, apenas uma dentre tantas que nos servem, seria a de aliviar o nosso fardo de viver.

Dedico, então, esse texto a todos meus amigos: novos ou velhos; próximos ou distantes; aos que foram e voltarem um dia; aos que foram e não voltam nunca mais.

5 comentários:

  1. Nao encaro o fim de uma amizade como algo triste. encaro como renovação. algumas pessoas nao podem acompanhar nossas mudanças. algumas mudanças prejudicam a convivencia, porque nem todas as nossas mudanças agradam nossos supostos amigos, e acreditamos que nossos amigos nos amam incondicionalmente. Engano nosso....é como vc comprar um poodle toy, achando que ele terá um tamanho e quando vc ve é um poodle gigante. vc pode ate se acostumar, mas vc sempre vai querer um poodle toy.

    Poucos pensam na evolução , no futuro, pensamos que nossos amigos de boteco sempre vao curtir aquela cerveja, aquela vagabundagem, e quando um consegue um emprego ou namora e se ausenta. Deixamos de lado. Isso é ser amigo? enfim... eu poderia escrever muito mais do que o proprio post aqui....

    Amigo é como rabo de lagartixa.... Você sente a falta mas quando se der conta.. Tem um novo no lugar.....

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  2. Bom, posso dizer que continuo com os mesmos amigos de dez anos atrás. E mesmo assim, continuo "adquirindo" novos.

    Excelente texto, meu querido!

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  3. Interessante texto. Já tinha lido textos seus antes, e não sabia que gostava de escrever. Fiquei surpreso com o surgimento do BLOG.

    Sobre o o texto em si. Eu concordo com a ideia apresentada, mas as vezes alguns amigos merecem o esforço de serem resgatados.

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  4. Que orgulho de ser sua amiga... =)

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