domingo, 19 de setembro de 2010

Por que Alckmin e 20 anos de PSDB são ruins pra São Paulo

No fim deste ano, o PSDB completará 16 anos no poder em São Paulo. Se Geraldo Alckmin for eleito, São Paulo completará 2 décadas sob o domínio do PSDB, praticamente o mesmo tempo que o Brasil viveu sob a ditadura militar. Será possível que isso é bom?

Antes de tudo, é importante saber quem é Alckmin. E, falando em ditadura, é interessante saber o que cada candidato ou político fez neste período histórico. Lula, como se sabe, era líder sindical; Dilma era membro de organizações da luta armada; Serra foi exilado; e Mercadante foi líder estudantil e militante pela causa democrática junto a pastorais. E Alckmin? Bem, em seus pronunciamentos, Alckmin se gaba de ter sido um dos vereadores mais jovens do país, aos 19 anos, e depois prefeito aos 23, em sua cidade natal de Pindamonhangaba. Isso ocorreu em 1972 e 1976, ou seja: enquanto os outros estavam na luta contra a ditadura, Alckmin quis ser político.

Tudo bem, podem dizer, mas ele se candidatou pelo MDB, partido de oposição ao regime militar, e não pelo ARENA. Ele poderia ter lutado contra a ditadura por dentro, do seu modo. A realidade, contudo, é bem diferente. Alckmin nunca levantou a bandeira de democratização; pelo contrário, elogiou publicamente o presidente Médici, o maior carrasco do regime. Não era à toa: seu pai era militante da UDN, o partido conservador da elite nacional antes do golpe de 1964; seu tio foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal pela ditadura; e pra terminar, seu tio-avô foi ninguém menos que o vice-presidente do general golpista, o presidente Castelo Branco. Com uma família tão poderosa, há de se entender a facilidade de Geraldo Alckmin para subir rapidamente na política.

Independente disso, sua aparência e postura sóbria, ainda que sem sal, faz crer que Alckmin é sério, honesto. Um de seus primeiros atos como prefeito, no entanto, foi nomear seu pai como chefe de gabinete. Como governador, tratou movimentos sociais, sindicatos e greves com desdém. Nada de diálogo, apenas repressão. Também sucateou a Febem, que virou uma escola do crime, deixando milhares de menores em condições subumanas. Ao todo, 23 adolescentes foram mortos dentro da instituição, o que rendeu uma condenação formal da Organização dos Estados Americanos (OEA) ao governo tucano por grave desrespeito aos direitos humanos.

Posando de “paladino da ética”, Alckmin também deu um péssimo exemplo. Ao todo, ele impediu, junto a seus aliados na Assembleia Legislativa, a formação de 69 CPIs, das quais 37 eram pra investigar irregularidades, fraudes e corrupção em seu governo, sendo o caso mais notório o da empresa francesa Alstom.

A Alstom é uma fabricante francesa de equipamentos de infra-estrutura nas áreas de energia e transporte; a mesma que construiu os trens do metrô de São Paulo. A justiça suíça denunciou ao Ministério Público francês que a Alstom havia movimentado milhões de dólares para propina em países como Venezuela, Indonésia e Brasil. O MP francês alertou que as propinas seriam da ordem de US$ 6 milhões no Brasil, enquanto a justiça suíça acredita que seja o dobro, tudo para obter contratos com o Metrô e a CPTM em São Paulo. Desta forma, a Alstom “ganhou” a licitação de todos os contratos durante a gestão tucana. Pior, durante a gestão de Alckmin, o governo do estado comprou 12 trens da Alstom, sem licitação, no valor de US$ 223,5 milhões, em um contrato que o Tribunal de Contas do Estado julgou irregular.

A ligação entre o PSDB e a Alstom foi tão forte que o dinheiro usado em propina foi utilizado para caixa de campanha. As doações, entretanto, foram justificadas como dinheiro pago para convites de um jantar de campanha. Naturalmente, o governo tucano impediu a abertura de uma CPI que investigasse o caso, e ainda hoje, o Ministério Público Federal continua suas investigações com base nos documentos suíços. Enquanto isso, Alckmin, ao mesmo tempo que se diz contra a CPI por falta de “fato concreto”, argumenta que o que ocorre na Assembleia Legislativa, o impedimento da abertura de CPIs, não lhe diz respeito, pois o Legislativo e Executivo são poderes diferentes e independentes. Argumento fraco, pois a base do governo se encontra no Legislativo.

Muitos não sabem sobre esses casos. Se são graves, por que poucos sabem sobre isso? A imprensa paulista em geral blinda o governo tucano: Rede Globo, Veja, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, ou seja, os grandes veículos de comunicação nacionais estão ao seu lado. A revista Veja é o caso mais alegórico, que dispensa apresentação. O elo é tão forte que a Secretaria do Estado de São Paulo fez compra de mais de 5.000 assinaturas da Veja para a revista ser distribuída na rede de ensino público do estado. Tudo, é claro, sem licitação. O mesmo foi feito com outras revistas e jornais que apoiam de alguma forma o governo tucano. Ao todo, foram R$ 9 milhões gastos nessas compras, todas sem licitação, e em geral nos meses de Maio/Junho de 2010, período próximo ao início oficial das campanhas.

Com apoio maciço da mídia, cria-se um ambiente estável, com a crença de que está tudo bem. Comparado ao resto do país, muitos setores estão, de fato, à frente, o que é esperado do estado mais rico da Federação, detentor de 1/3 do PIB nacional. Em outros, nem tanto. A educação é o maior exemplo.

Com a Progressão Continuada, idealizada por Paulo Freire, o aluno é empurrado para a frente mesmo sem ter aprendido. Assim, diminuem-se os números de evasão escolar e de reprovações, o que mascara a realidade. O que Paulo Freire previa era não punir o aluno com a reprovação, mas ajudá-lo com uma educação de qualidade, professores bem preparados, aulas especiais de reforço, etc. Sem tudo isso, torna-se apenas uma aprovação automática, que é o sistema vigente e o mesmo que FHC fez para melhorar os números da educação no Brasil. Pra piorar, o governo do PSDB instituiu um bônus para escolas e professores do estado com os melhores resultados. Parece bom, mas na prática, os professores criam trabalhos e atividades extras com o mero intuito dos alunos ganharem pontos de outros formas e passarem com uma boa nota, compensando o resultado pífio das provas. Ou seja, mais uma vez se esconde a realidade.

O transporte público também evoluiu pouco, enquanto o trânsito só piora. O governo se gaba de expandir o metrô, mas muito pouco foi feito nos últimos 16 anos. O metrô da Cidade do México foi iniciado na mesma época que o metrô de São Paulo, e hoje, tem em volta de 200km em linhas, ao custo de menos de R$ 0,50 por passagem. O de São Paulo, todavia, tem apenas 69km, enquanto o preço de um bilhete é R$ 2,65. Os recentes projetos de expansão apenas surgiram sob pressão, já que o tráfego da metrópole está saturado e porque é necessário melhorar a infra-estrutura para a Copa do Mundo no Brasil.

Pior do que isso é a questão do pedágio. Atualmente, a população de São Paulo paga o pedágio mais caro do Brasil e um dos mais caros do mundo, tudo feito sob o esquema de concessão de rodovias. O lucro das concessionárias é tão grande que é maior que a rentabilidade dos bancos no Brasil. São estradas construídas com dinheiro público e depois entregues ao cuidado de companhias que abusam do cidadão para lucrar.

O pior é que o preço do pedágio é repassado a diversos produtos que consumimos diariamente, devido ao custo de transporte. Ou seja, produtos simples da cesta básica ficam mais caros em razão dos altos preços do pedágio no estado de São Paulo. Tudo por um modelo de gestão do PSDB, espelhado nas privatizações de FHC e repetidas no estado por Mário Covas. E de privatizações Alckmin entende bem: ele foi o coordenador do Programa Estadual de Desestatização do governo Covas.

Muito mais pode ser explorado nos 16 anos de governo tucano em São Paulo. O que importa, no final, é a necessidade de mudança. Quem não conhecia bem Alckmin, agora conhece. Quem não sabia das falcatruas do PSDB no estado, agora sabe. Resta à sabedoria do povo querer mudar e arriscar algo novo, diferente, que tire o estado das mãos de poucos para colocar nas mãos de todos. Neste 3 de outubro, não anule seu voto: vote em qualquer candidato diferente; menos Alckmin. É preciso mudar.

6 comentários:

  1. Muito bom o seu artigo, compartilho de idéias parecidas, principalmente quanto à corrupção no governo tucano, eles não são fiscalizados pela mída prostituta.

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  2. Mais uma vez eu concordo com seu texto. O que mais me deixa puto com relação ao que o PSDB fez com São Paulo é a educação.

    Veja bem, são 16 anos de governo tucano, em breve sentiremos o impacto direto da progressão continuada, pq boa parte dos alunos que foram "educados" nesse modelo se formarão em breve.

    Honestamente, o candidato que eu realmente gostaria de ver vencer nessas eleições é o Mercadante, muita mais do que a Dilma. Pena que nada parece ser capaz de frear os tucanos de São Paulo. =/

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  3. Acho que o Marcelo já disse tudo o que eu tinha a dizer.

    E acrescento que talvez o Skaf seja uma opção muito boa, também; já que é um indivíduo novo na política e talvez ainda não tenha sido contaminado com os maus costumes que nela já persistem há anos.

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  4. Seu texto, muito bem redigido, esta repleto de informacoes falhas, e tipicas de pessoas que nao conseguem ver que o PSDB realmente nao e' nada demais, e' apenas um PT melhorado.

    Primeiramente desculpe pela acentuacao, o laptop nao me permite ir alem disso.

    Vamos la, de todos os curriculos que voce demonstrou dos candidatos na epoca do Regime Militar, o do Alckmin e' o mais honesto. Lutar em favor da democracia que temos hoje?? Voce realmente acha isso valido?? Fizeram isso pelo amor ao pais?? Curiosamente todos os petistas grevistas e sindicalistas desse periodo ficaram vergonhosamente ricos hoje. Mas tudo bem, se voce apoia tais candidatos, que diretamente apoiam um meliante agressor de mulheres, bom, naturalmente voce ira defender os subversivos do PT.

    Ao falar de Medici, cuidado, ele foi muito mais do que qualquer governo pseudo-esquerdo nesse pais foi. Alias, quem houve de esquerda aqui? Lula?? Somente se falarmos da hipocrisia tipicamente peculiar a "esquerda". Talvez o grande Getulio, pai dos pobres... tsc tsc tsc
    Todos nos sabemos em que epoca desse pais houve seguranca, respeito ao VERDADEIRO TRABALHADOR e reforma agraria... Alem, claro, de obras como Itaipu...

    Sobre a Alstom, procure pesquisar se a mesma nao venceu nenhuma licitacao para o governo federal recentemente, cansei de pedir visto de trabalhadores franceses da Alstom para trabalhar em obras em outros estados do Brasil.

    Nao acho que o PSDB seja realmente a epitome politica e social para o nosso maior e mais importante estado desta nacao, mas tambem nao enxergo nada melhor. O Mercadante nao e' o pior que o PT pode oferecer, alias, ja tentaram nos colocar dirceu e genoino aqui em SP, ainda bem que a populacao ignorou completamente tais tentativas. Alguem se lembra do que aconteceu nos escandalos do PT?? Aqueles mesmos que o nosso excelentissimo presidente de nada sabia e disse que os culpados teriam de ser punidos. Curiosamente, quem e' o coordenador de campanha da Sra. Roussef?? Certamente o autor do blog e os comentaristas desse topico devem saber. E vao lembrar o nome do larapio.

    Dizer que o PSDB e' saudavel para SP e' impossivel, afirmar que o PT seria melhor e' acreditar em papai noel, e querer comparar os hipocritas de hoje em dia com o governo militar em seu auge, alias os auge do Brasil, e' pecado.

    Grande abraco

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  5. Caio, 20 anos de PSDB pode ser ruim, mudanças certamente são bem vindas. Mas não vejo nenhuma candidatura que sinalize mudanças significativas. Fico naquelas: se os tucanos são ruins, os outros não são necessariamente bons. Esse ano tá foda, tô sem vontade nenhuma de votar.

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