terça-feira, 18 de março de 2014

Governo proíbe “Doze Anos de Escravidão”? Só se for na Terra do Nunca...



Começa a circular pela internet a “notícia” de que o governo brasileiro “baixou um decreto” no dia 17 de março de 2014 que proibiria a exibição do filme "Doze Anos de Escravidão" em municípios que participassem do programa “Mais Médicos”. A (des)informação pode ser vista aqui: http://joselitomuller.wordpress.com/2014/03/17/governo-proibe-filme-doze-anos-de-escravidao-em-cidades-com-mais-medicos/

De acordo com o blog, a medida visa “impedir que os médicos cubanos que participam do programa se identifiquem com o personagem central do filme, e se sintam assim impelidos a abandonar seus postos e a pedir asilo político”.

E tem mais: a notícia relata que o governo desmentiu o boato de que os médicos cubanos teriam que usar tornezeleiras (sic) eletrônicas; na verdade, eles usariam chips de localização (!) colocados debaixo da pele (!!) e monitorados por satélite (!!!), para assim não escaparem.

Mas não acaba por aí: Fidel Castro ainda teria afirmado que “Cuba e Brasil estão cada vez mais parecidos”, e que depois do porto de Mariel, ele teria dito: “Agora eu quero um aeroporto novinho em folha”. Pra terminar, o texto nos presenteia com uma cereja no bolo: a de que nenhuma organização de direitos humanos teria se pronunciado a respeito.

Depois de tudo isso, parece até desnecessário explicar que não é verdade. No entanto, o que é pra ser piada é levado a sério por muita gente e já está sendo compartilhado por diversas pessoas pelas redes sociais. É mole?

Então, para estas pessoas, vamos desenhar: não, amiguinhos, isso tudo aí em cima não é verdade. Como saber? Basta acessar o Diário Oficial da União. Todos os “decretos” assinados da presidente estariam ali, e não há nada no dia 17 de março. Quem estiver no pique, basta procurar aqui. E se quiser ir além, não há nada hoje, nem mesmo na semana passada a respeito disso. Não passa de invenção.

Mas o fato de uma notícia fictícia dessas começar a circular como um viral denota que há 3 tipos de pessoas que as compartilham: primeiro, as que realmente acreditam nisso, demonstrando que qualquer pingo de senso crítico é superado pelo ódio e preconceito desmedido contra o PT; segundo, as que sabem que é mentira, mas que querem espalhar boatos maldosos de propósito, por pura canalhice; e terceiro, as que só querem mostrar a piada pros amigos e dar risada. Infelizmente, estes últimos parecem ser a minoria.

Um comentário:

  1. Tem uma quarta categoria de pessoas: as que, não sabendo distinguir sátira de notícia, ainda se dão ao trabalho de "investigar" e tentar "desmentir" uma piada... Essas pessoas geralmente escrevem coisas como "ódio e preconceito (sic) desmedido contra o PT". Em resumo: perderam completamente o senso de humor.

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