quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Marina e a “maldição” da 3ª via



As pesquisas comprovam: se as eleições ocorressem hoje, Marina Silva seria eleita presidente da República, vencendo a presidente Dilma no segundo turno. O furacão Marina não para de crescer e de assustar petistas e tucanos. Sendo assim, muitas pessoas já se renderam ao “já ganhou”, à crença de que já está tudo decidido. Mas não é bem assim. Marina ainda tem que lidar com um grande problema histórico: a “maldição” da 3ª via.

Ser a 3ª via nas eleições não é nada simples. É fato que há uma crise da democracia representativa, e não somente no Brasil, de forma que as sociedades ocidentais andam cansadas dos partidos tradicionais e de uma disputa bipolar. Assim, surgem as candidaturas de 3ª via, de partidos que nunca tiveram a chance de governar, ora apresentando projetos mais radicais, ora prometendo um caminho do meio. O problema é que, apesar da comoção que causam, esses partidos dificilmente ganham.

Olhando o caso brasileiro, temos vários exemplos da história recente:  em 2002, Ciro Gomes chegou a ultrapassar Lula nas pesquisas, mas aí cometeu o grave erro de dizer que o papel de sua esposa na campanha era “dormir com ele”, o que o fez despencar e amargar um distante 3º lugar. Em 2010, Marina Silva foi ganhando cada vez mais espaço durante a campanha e conseguiu quase 20% dos votos no final, surpreendendo a todos e forçando um 2º turno entre Dilma Rousseff e José Serra. E, mais recentemente, nas eleições para prefeito de São Paulo em 2012, o candidato Celso Russomanno liderou as pesquisas até a última semana, mas acabou em terceiro, ficando de fora do 2º turno por poucos votos.

Aí alguns vão dizer: “Ah, mas o caso de Marina é diferente, sua candidatura está mais consolidada.” Sim, isso é verdade. Mas ela ainda terá que lidar com as grandes dificuldades que todo candidato da 3ª via tem que lidar. Em alguns casos, como o de Marina em 2010, este tipo de candidato vai ganhando fôlego durante a campanha, mas não rápido o suficiente para conseguir ficar entre os 2 primeiros no dia das eleições. Em outros, como pode ser com Marina em 2014, quando o candidato consegue chegar ao topo, começam a aparecer os ataques de todos os lados, causando a queda de sua popularidade e demonstrando que seu fôlego era nada mais do que passageiro.

Há diferentes motivos para isso ocorrer. Primeiro, o eleitor de candidatos de 3ª via é volátil: ele não tem uma fidelidade partidária, está apenas cogitando algo novo. Isso explica o rapidíssimo crescimento de Marina no período de duas semanas. E se este eleitor é volátil, ele facilmente se decepciona se o candidato comete algum deslize, diferentemente dos eleitores de partidos tradicionais, que têm uma fidelidade maior a seus partidos. Segundo, os partidos tradicionais possuem uma plataforma mais sólida: você sabe o que esperar deles, porque, provavelmente, já tiveram a chance de governar. Um partido de 3ª via, sem ter uma experiência para apresentar, acaba sendo um tiro no escuro. O eleitor até pode querer algo novo, mas para arriscar, seu grau de insatisfação tem que estar muito alto. E, por fim, candidatos de partidos tradicionais estão amparados por máquinas partidárias e coligações que sustentam seu projeto. Candidatos de 3ª via geralmente apresentam ao eleitorado mais perguntas do que respostas: como irão governar? Com o apoio de quem? Suas propostas são viáveis? E assim vai.

Estes são alguns dos problemas que Marina Silva terá que enfrentar. E agora que a candidata aparece à frente das pesquisas, os ataques à sua candidatura, justificáveis ou não, já começaram. Como fazer uma “nova política” tendo banqueiros como aliados? Como prometer melhor saúde e educação com a proposta de redução do tamanho do Estado na economia? São contradições difíceis de explicar, e Marina tem se mostrado incapaz de respondê-las adequadamente. Os primeiros deslizes também já começam a aparecer, como a volta atrás em alguns pontos de seu programa logo após a pressão do Pastor Silas Malafaia, ou a admissão de que recorre à Bíblia quando está em dúvidas sobre alguma decisão. O seu eleitor, eufórico com a ideia do “novo”, pode rapidamente tirar o corpo fora ao perceber que ela não era tudo aquilo que parecia. E em frente à urna, o medo pode falar mais alto e determinar a escolha pelo que é mais “confiável”.

É difícil dizer qual é o fôlego de Marina. Neste momento, é bem provável que ela passe para o 2º turno; contudo, não seria prudente concluir que Aécio Neves já está fora da disputa. Por um lado, os ataques a Marina devem fazer efeito, freando a sua ascensão; por outro, eleitores tradicionais da direita e do PSDB podem ver Marina como a única capaz de vencer o PT, migrando então o seu apoio de Aécio para a candidata do PSB. A única certeza neste momento é que é muito cedo para cantar vitória. Falta ainda um mês para o 1º turno e muita água ainda vai rolar. A maldição para Marina está apenas começando. Aí sim veremos se o seu santo é dos bons mesmo.

Um comentário:

  1. Bom dia. A maneira mais fácil da senhora ganhar as eleições e simples mente falar e não voltar a traz afirmando mesmo em palanques assumindo a presidência dizendo aos trabalhadores e a sociedade quem ganha ate 20.000,00 mil reais não mais pagara emposto de renda , quem pagara e os empresários. e um abuso o trabalhador trabalhar o ano a ano e ter que pagar o que e dele. o que e tomado na maior crueldade ,ou paga ou vai preso uma coisa que e do trabalhador que lutou que vem lutando a anos .isso sim que e falta de respeito em quanto os grandes continuam cada dia mais ricos o médio tomando café amargo . tá na hora de dar um grito de liberdade eu vou conseguir . muito obrigado vamos a luta

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