domingo, 26 de outubro de 2014

O orgulho venceu o ódio



Com mais de 3 milhões de votos, e uma diferença de cerca de 3%, Dilma Rousseff venceu Aécio Neves na eleição presidencial mais dura desde a redemocratização brasileira.

Foi uma disputa acirrada, cheia de reviravoltas. O resultado do 1º turno, que elegeu o Congresso mais conservador desde 1964, já tinha causado uma ressaca forte na esquerda brasileira.  Mas a virulência da militância de Aécio e o risco de perder as eleições mexeu com muita gente que, mesmo com suas críticas ao atual governo, se levantou para lutar contra o retrocesso. O ódio que espumava nas ruas, nas bancas e nas redes sociais acabou ferindo o orgulho: o orgulho de ter origem humilde, o orgulho de ser da periferia, o orgulho de ser LGBT, o orgulho de ser negro, o orgulho de ser nordestino, o orgulho de ser petista, o orgulho de ser de esquerda. E esse orgulho ferido saiu às ruas, numa mobilização que não se via desde 1989 por um político. Se, em 2002, a esperança venceu o medo, podemos dizer que, em 2014, o orgulho venceu o ódio.


Há muito o que se fazer, é verdade. Mudanças são necessárias. Mas nem a tentativa desesperada da mídia de ganhar no grito foi o suficiente para mudar a vontade do povo. E essa mobilização, até por setores críticos da esquerda em prol da candidatura de Dilma, não deve ser esquecida no próximo governo. Que sirva de lição de que não se pode se acomodar, mesmo quando há avanços; ao mesmo tempo, que a oposição lembre que não dá para querer ganhar uma eleição com base no ódio, isso só afasta as pessoas. Agora, resta desejar que sejam 4 anos melhores para todos os brasileiros, sem ódio, sem rancor, e em união por um país melhor. Vermelhos, azuis ou não, ainda vivemos sob a mesma pátria. Essa é a beleza da democracia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário