quinta-feira, 2 de outubro de 2014

O que Alckmin e o PSDB fizeram por São Paulo em 20 anos?


Quem assistiu ao longo do tempo a campanha de Geraldo Alckmin, do PSDB, para reeleição ao governo de São Paulo, talvez imaginou que vive no Reino de Deus na Terra. Metrô para todo lado, saúde e educação de 1º mundo, uma população segura, saudável e feliz. Isso sem falar no ufanismo paulista, que é de revirar o estômago. Passa-se mais tempo falando de projetos que um dia, quem sabe, serão feitos, em vez do que já foi realizado. E como sabemos, infelizmente, a realidade é muito diferente. Alckmin já governou São Paulo por 10 anos; o PSDB, por 20. E por todo esse tempo, São Paulo sofreu, em absolutamente todos os aspectos. Duvida? Vejamos um por um, então.

Muito se fala na riqueza de São Paulo. Mais uma vez, quem assistiu aos programas de Alckmin na TV pode pensar que, antes do PSDB, São Paulo era um estado pobre e devastado. Mais um pouco, e eles alegariam que começaram o ciclo do café por aqui. A verdade é que São Paulo é, e tem sido desde antes dos fundadores do PSDB nascerem, o estado mais rico da federação. E embora isso não tenha mudado, São Paulo ficou, sim, relativamente mais pobre. Em 1995, a participação de São Paulo no PIB nacional era de cerca de 35%. Hoje, em 2014, está em 31,4%. Foi sob o atual governo de Alckmin, inclusive, que São Paulo teve sua maior queda. Em 2010, era de 33,1%. Ou seja, em 4 anos, houve uma queda igual ao que PSDB causou nos outros 16.

Mesmo assim, São Paulo continua o estado mais rico da federação, um eleitor tucano poderia afirmar. Pois é, e sendo assim, é de se esperar que o estado mais rico da federação tenha os melhores serviços de saúde e educação, não? Não. A verdade é que ambas as áreas estão em péssima situação.

Na saúde, o negócio vai de mal a pior. Espera-se que uma gestão da saúde abra mais leitos para a população, não é mesmo? Muito pelo contrário, o governo Alckmin conseguiu fazer o oposto. Em seu governo, somente na capital, 383 leitos foram fechados. Usando um exemplo mais claro, quem mais sofreu com o descaso da saúde foram os portadores do vírus HIV. O governo Alckmin fechou leitos para essa população, além de fechar a histórica Casa da Aids, transferindo os seus 3 mil pacientes para o Hospital Emílio Ribas. Onde já se viu concentrar mais pacientes num lugar já lotado para aumentar a eficiência do tratamento? Pois é, somente no mundo fabuloso de Alckmin.

A educação, então, não dá nem para passar de ano. Neste ano, os estudantes da rede estadual tiveram o pior desempenho em 6 anos. Mas se São Paulo é o estado mais rico da nação, então deve ter mesmo assim os melhores índice de educação, certo? Errado. De acordo com os dados do Pisa, São Paulo tem apenas a 5ª melhor rede estadual, e que, mesmo assim, está abaixo da média nacional. Talvez o que explique isso seja o baixíssimo investimento em educação no estado. São Paulo é apenas o 18º no ranking dos estados que mais gastam com educação em relação a seu PIB. Ou seja, comparativamente, estados como Piauí, Amapá, Acre, Roraima, etc, gastam mais do que São Paulo.

Isso se reflete também na situação das universidades estaduais. Apesar de serem as melhores do país, USP, Unesp e Unicamp entraram em crise neste ano por falta de recursos. O caso da USP se torna mais grave pela péssima gestão de João Grandino Rodas, que nem foi eleito pelo conselho universitário, mas indicado de forma autoritária pelo então governador José Serra. O resultado foi o congelamento de salários e discussões sobre privatização, quando a crise foi causada pura e simplesmente por má administração. Isso causou uma longa greve, em grande parte devido à teimosia e arrogância do atual reitor e do governador Alckmin, que não queriam negociar.

“Pelo menos o Alckmin colocou mais policiais na rua.” Pode até ser, mas isso não resultou em maior segurança, pelo contrário. A polícia nos protege de quem? Afinal, a PM paulista matou duas pessoas por dia em 2014. De 2006 a 2010, ela matou mais do que todas as polícias dos EUA juntas. E nada disso resultou em redução da criminalidade, pois houve um aumento no número de latrocínios e roubos de cargas em 2013. Isso sem falar na prisão arbitrária de manifestantes pouco antes da Copa do Mundo, de forma a ludibriar a população de que havia preso líderes do grupo black blocs.

E o metrô então? A malha metroviária de São Paulo, que é responsabilidade do governo do estado, é uma vergonha. O paulista parece ignorar este fato, comparando com o resto do país. Mas e se comparar com o resto do mundo? Vejamos alguns exemplos. Londres? 408km. Nova York? 368km. Tokyo? 292km. Seoul? 287km. E São PauloApenas 78,4km. Alguém pode dizer que a comparação é inválida, porque estas cidades começaram a construção de seus metrôs muito antes. Algumas cidades, sim. Mas Seoul começou em 1974; o mesmo ano que São Paulo. Pegue outra cidade comparável a São Paulo, como a Cidade do México. O metrô foi inaugurado em 1969 e tem 201km. Mais que o dobro. Agora, quer uma comparação ainda mais deprimente? O metrô de Shanghai foi inaugurado em 1993, pouco antes do início da gestão do PSDB em São Paulo. Hoje? Possui 538km de linhas. Um ritmo de 25km de metrô construídos por ano. Enquanto isso, em 20 anos, o PSDB entregou apenas 32km. Ou seja, um pouco mais do que Shanghai entrega por ano. O que significa uma média de 1,6km construído por ano durante a gestão tucana. Absolutamente lamentável.

E o descaso com o metrô não para por aí. Em 2010, Alckmin havia prometido entregar 30km de metrô até 2014. Vai entregar apenas 4km, ou seja, 13% das obras prometidas. E quando o PSDB entrega as obras, 79% delas são em anos eleitorais. Mas por que tanta ineficiência? Talvez o cartel do metrô explique, um esquema de fraude nas licitações para a construção e manutenção de suas linhas. Estima-se que o estado tenha sido lesado em, pelo menos, R$ 450 milhões. Ou seja, pelo menos três vezes mais do que a estimativa mais pessimista do mensalão do PT, tão alardeado pela mídia conservadora como o maior esquema de corrupção da história brasileira. E pra fechar com chave de ouro – talvez literalmente –, o candidato Alckmin recebeu pelo menos R$ 4 milhões em doações para sua campanha eleitoral de três das empresas investigadas pela formação de cartel. Dá para acreditar?

Isso lembrando que o metrô é apenas parte do problema. Pergunte ao povo da Baixada Santista, por exemplo, há quanto tempo eles esperam a construção de um túnel ou ponte (cada eleição é uma promessa diferente) entre Santos e Guarujá. Em 2014, o percurso entre as duas cidades é feito da forma mais arcaica: por balsa.

“Ah, mas as estradas de São Paulo são um tapete!”. Dá uma raiva ouvir isso, não? Como se isso justificasse os altíssimos pedágios cobrados nas estradas paulistas. Para se ter uma ideia, em 2011, o brasileiro gastou em média R$ 9,13 em pedágio por cada 100km de rodovia; o paulista, enquanto isso, pagou R$ 16,04, quase o dobro. Isso os torna não somente os mais caros do país, mas como uns dos mais caros do mundo, especialmente se levar em conta a renda per capita. Além disso, a lucratividade das concessionárias de rodovias de São Paulo é abismal. Acredite, a empresa que administra o sistema Anchieta-Imigrantes, por exemplo, foi duas vezes mais lucrativa do que bancos como o Bradesco e o Banco do Brasil. Ou seja, a privatização das estradas paulistas foi uma irresponsabilidade do governo do estado que priorizou o lucro de grandes empresas em vez do bem-estar do seu cidadão. Mais uma "grande" obra da gestão tucana.

Por fim, há ainda uma questão extremamente alarmante que surgiu neste ano: a crise da falta d’água. Sim, pode ter sido a maior seca em 80 anos, é verdade que há muito desperdício no uso da água, mas a realidade é apenas uma: a crise é primordialmente por falta de investimentos do governo do estado. Se tem dúvidas, pergunta a esta relatora da ONU. E Alckmin, visando a sua reeleição, finge não haver racionamento, que é praticado não-oficialmente por toda a região metropolitana, principalmente nas periferias. Tudo isso lembrando que o governo do PSDB negociou os papéis da Sabesp na Bolsa de Nova York, que acumularam alta de 601% em 10 anos (ou seja, foram negociados por uma pechincha, lesando o estado), e que tem seus lucros distribuídos entre acionistas estrangeiros. Ou seja, a água que falta na sua torneira se tornou dinheiro na conta de investidores de outros países.

A situação é tão grave que, para pessoas que trabalham no setor de recursos hídricos, já se comenta sobre uma contagem regressiva para o juízo final; ou seja, o dia em que as reservas vão secar e não vai ter água na torneira para mais ninguém. Apesar do estado crítico, a mídia parece tratar uma questão gravíssima como esta com extrema tranquilidade. Imagine se fosse um governador do PT? Por enquanto, a Sabesp garante o abastecimento até março de 2015. Veremos o que dirão depois das eleições. Talvez "salve-se quem puder".

Há ainda outras questões que poderiam ser citadas, como a poluição e o meio-ambiente, tendo como exemplo esta promessa não cumprida de Alckmin em 2003 de tornar o rio Tietê limpo e navegável, mas este é um balanço geral da atual situação do estado de São Paulo. E como pode se ver, a realidade é que temos um estado mal administrado, abandonado e saqueado. Mesmo assim, Geraldo Alckmin segue incrivelmente firme para a reeleição no 1º turno. Como explicar isso? Há diversas hipóteses. É verdade que o povo paulista é muito conservador, especialmente o interior; que a mídia paulista blinda o governo tucano da maior parte dos ataques e denúncias, deixando a população pouco informada sobre o que realmente acontece; que as pessoas nem sabem o que um governador faz, culpando o presidente ou o prefeito por problemas de responsabilidade do estado em vez disso; que há um anti-petismo fortíssimo no estado – em grande parte devido, mais uma vez, à mídia –, o que impede a formação de uma oposição viável, e assim vai. Eu ainda adicionaria uma tese minha de que o paulista acredita que o PSDB protege São Paulo e sua riqueza do resto da nação, reforçando a imagem ufanista de locomotiva do país, etc. Mas o problema é que este orgulho cego está levando o estado ao abismo. É preciso fazer algo para mudar.

Você, que está lendo este texto, precisa fazer a sua parte. Converse com amigos, família, qualquer um. Se quiser, pode votar no Padilha, do PT. Odeia o PT ou a esquerda? Então tem o Skaf, do PMDB, que é tudo, menos um candidato de esquerda, representando mais o setor do empresariado liberal. Não gosta dele também? Ainda há vários outros candidatos para escolher. O que não se pode é votar em branco ou nulo, e muito menos no próprio Alckmin. Entregar mais 4 anos para o PSDB seria nada menos do que premiar a incompetência. São Paulo merece e pode muito, muito mais do que este péssimo governo. O que falta é o povo paulista descobrir isso.

2 comentários:

  1. o povo e roubado na cara dura pelo psdb que em 20 anos não faz nada cadê uma barragem nem limpar vcs limpa geraldo alckmin so aparece na tv para dizer que está tirando agua de outro lugar ou dizer que vai cobrar nulta incopetente ladrão

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