quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Por que votarei em Dilma



Joseph Pulitzer, um renomado jornalista norte-americano, uma vez disse: “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma.”

Neste 2º turno das eleições presidenciais, declaro que não votarei em Aécio. Eu poderia citar diversas razões, como a sua visão econômica (como foi detalhada aqui no blog), a construção de um aeroporto em terras de sua família, casos de corrupção e/ou improbidade administrativa na sua gestão (como na saúde), censura e perseguição a jornalistas de oposição (ver aqui e aqui), ter aliado e amigo pessoal envolvido com o tráfico de drogas (ver o mini-documentário Helicoca), entre outras. Só que eu não vou votar no Aécio por outro motivo, bem mais pontual: por causa dos eleitores de Aécio.

Apesar de tudo que citei, talvez Aécio pudesse ser a melhor opção para o país. Acreditem ou não, mas eu sempre me questiono sobre as minhas crenças, analiso ideias diferentes da minha e me pergunto se eu não poderia estar errado e, os outros, certos. Talvez a visão do candidato tucano seja a melhor para o Brasil. Quem sabe? Mas a prova de fogo, para mim, trata-se da seguinte questão: se eu apoiasse Aécio, ao lado de quem eu iria ficar? Quem seriam as pessoas à minha volta?

Aí começa o problema. Não mais que de repente, eu me veria ao lado de pessoas raivosas, irracionais, racistas, homofóbicas, xenófobas, intolerantes e preconceituosas de todo tipo, que, sem razão, usam da violência contra minorias e todos aqueles que possuem uma visão diferente. E eu não quero estar ao lado desse tipo de gente, que vocifera asneiras, como se a Guerra Fria ainda existisse, tudo em prol de um "fora PT", "fora Dilma", "fora comunismo" (?), e só. Afinal, se esse é o eleitor do cara, é para eles que Aécio deverá prestar contas, uma vez eleito, não é?


Você, eleitor do Aécio mais ponderado, já deve estar me xingando, dizendo que você e muita gente não é assim. Talvez você apenas acredite que a visão neoliberal seja melhor para a economia. Discordo, mas posso respeitar. Talvez você creia que o PT roubou muito e o Brasil precisa de ética. Eu diria que, na melhor das hipóteses, você está sendo enganado, pois o PSDB não é nenhum exemplo de ética ou combate à corrupção, já que os maiores escândalos envolvem justamente este partido, e com montantes muito superiores ao mensalão petista. Mesmo que você conteste os números abaixo, uma pesquisa pela internet mostra que a realidade não está distante disso.


Mas eu lhe digo, eleitor tucano, que compreendo que nem todo mundo é assim. Não diria nem que é a maioria, ou que os eleitores de Dilma são todos santos. Contudo, é muita gente. E não adianta dizer que são fakes, que é só na internet (leia os comentários de qualquer notícia sobre política). Basta sair às ruas e ver o que muitos de seus eleitores falam. Como o filho do dono de uma rede de supermercados em Pato Branco que fez este singelo vídeo. Antes de deletar sua conta nas redes sociais, estavam lá as suas mensagens de apoio ao Aécio. É impossível aceitar que eu fique ao mesmo lado deste tipo de gente.


E nem são só seus eleitores. Quem apoia Aécio? Jair Bolsonaro, Marco Feliciano, Silas Malafaia, etc. Ou seja, as forças mais conservadoras e reacionárias do país. E tem mais: vá a qualquer banca de jornal e veja as principais revistas e jornais. Quase todos possuem capas em prol de Aécio ou contra a Dilma. Sem falar que, toda vez que ele sobe nas pesquisas, a bolsa de valores sobe e o mercado financeiro se anima. A grande mídia e o mercado financeiro quer, e muito, a sua eleição. Me diga então: por que eu ficaria ao lado dos mais poderosos? Que interesses escusos eu estaria defendendo sem saber ao elegê-lo apenas em razão de um discurso vago de “mudança”?

Tendo consciência de tudo isso, eu não posso votar no Aécio. Não mesmo. Mais do que tudo, ele reforça a minha certeza de que o correto nesta eleição é votar em Dilma. Mesmo sendo um voto crítico. Não acho que seu governo foi perfeito, tenho inúmeras críticas que eu poderia fazer. Entretanto, sempre apoiarei um projeto de país que vise os mais pobres, os mais necessitados, e que busque a redução contínua da desigualdade social, o maior mal assola este país. Talvez a eleição de Aécio me beneficie. Afinal, fui e sou uma pessoa privilegiada, por ser branco, de olhos claros, paulista, vindo de classe alta, etc. Mas voto em Dilma porque não posso pensar apenas em mim. É preciso pensar no outro também. E o outro precisa mais do que eu.

Você, que pensa em votar branco ou nulo por achar que são todos iguais, sugiro que reconsidere a ideia. A virulência no discurso dos eleitores de Aécio é tóxica demais para tomar para si o país. A sua eleição representa a vitória do ódio, alimentado pela mídia que busca apenas seus próprios interesses, e isso nunca é bom em lugar algum. E se eles fossem tão iguais, não haveria esse apoio tão escancarado, embora não-declarado, da grande mídia e do mercado financeiro.


Neste momento, se as pesquisas estiverem corretas, cada vez se torna mais provável a derrota de Aécio. Mas parece que, pela 1ª vez, um candidato pode perder não por seus próprios defeitos (que são muitos), mas pelos de seus eleitores. Em reação a todo esse ódio, tem ocorrido uma bela mobilização pelas ruas em defesa da candidatura de Dilma, num grau que não se via talvez desde 1989, culminando no grande comício na PUC de São Paulo. Que seja um lembrete a ela e ao PT de que, apesar de todo o apoio, é preciso repensar o modo de fazer política no país. Neste ano de disputa acirrada, trata-se muito mais de um repúdio ao ódio do que de um voto por paixão.

Deixo, por fim, um último vídeo que ilustra a situação. E ao vê-lo, refaço a pergunta que fiz a mim mesmo: com que pessoas você quer estar no final? De que lado você quer ficar? Eu, com convicção, já escolhi o meu.


Um comentário:

  1. o petrolão já ta passando dos 200 Bilhões amigo

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