segunda-feira, 9 de março de 2015

A lista de Janot e a reforma política



No final da última sexta-feira (06/03), foi revelada, enfim, a lista dos políticos a serem investigados em razão da Operação Lava-Jato. Dos 47 listados, 32 são do PP, 7 do PMDB (incluindo o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e o presidente do Senado, Renan Calheiros), 6 do PT, 1 do PTB e 1 do PSDB. Além deles, também foram citados os candidatos à presidência das últimas eleições, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), além do ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra. Porém, o primeiro teve o pedido de arquivamento da investigação, e os outros dois não serão investigados por já se encontrarem falecidos.

Inicialmente, o que essa lista nos diz? Que todos os grandes partidos estão envolvidos neste grande escândalo de corrupção, seja governo ou oposição. É verdade que a mera investigação não é sinônima de culpa (da mesma forma que arquivamento não é sinônimo de inocência), mas o fato de haver políticos de todos esses partidos citados mostra como o maniqueísmo na política brasileira não passa de uma tolice infantil. Se figuras importantes do PT estão envolvidas, Antonio Anastasia, cria política de Aécio Neves, também surge como suspeito. No final, ninguém se safa.

Falta explicar a razão de colocar a reforma política no título. O que uma coisa tem a ver com a outra? Os dois partidos com mais políticos citados no esquema de corrupção na Petrobras, PP e PMDB, são aliados do governo do PT. Volte 20 anos no tempo, e quem você encontra como aliados do PSDB de FHC? Os mesmos PMDB e PP (com outro nome, PPB). Ou seja, são partidos que estão no governo há mais de 20 anos, independentemente de quem seja o presidente. Ah, e o PTB? É o mesmo partido de Roberto Jefferson, lembra dele, do mensalão? Pois é, adivinha quem era aliado de FHC?

Esses partidos vivem em torno do poder. Ganhe Dilma, ganhasse Aécio, eles continuariam no governo, e nenhum dos dois poderia recusar o apoio. Infelizmente, o sistema político brasileiro é tal que faz com que seja preciso negociar com diversos partidos para garantir a tal da “governabilidade” (ou seja, conseguir apoio necessário para votar os projetos no Congresso Nacional). Quem não fez isso acabou sendo derrubado, que foi o caso de Fernando Collor (inclusive, ele é o citado do PTB).

Longe de mim querer, com este texto, tirar do PT a responsabilidade dessas alianças espúrias. Porém, qualquer um que entrar fará o mesmo se quiser tentar aprovar algo. O fato deste escândalo envolver tantos partidos diferente, de governo e oposição, além dos presidentes da Câmara e do Senado, gera uma forte crise institucional, mostrando como o nosso sistema político está falido. Não há melhor momento, portanto, do que este para reivindicar uma reforma política. Mas uma reforma de verdade, que não sirva aos interesses de nenhum partido, mas da sociedade brasileira. 

Conforme nos aproximamos de um período de grande turbulência social, seria importante unificar os atos em prol desta mesma causa. Pelo contrário, continuaremos nesta picuinha PT x PSDB, “fica PT” x “fora PT”, que só serve para os interesses dos poderosos, que estão pouco se lixando para o destino do país. O risco é de deixarmos esta oportunidade passar para focar no alvo errado.

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